Clínica Ventura - Cirurgia Plástica

Mastectomia preventiva

15 de maio de 2013

Mastectomia preventiva
Mastectomia preventiva

O jornal norte-americano The New York Times publicou hoje um artigo da atriz Angelina Jolie no qual ela conta que se submeteu a uma mastectomia bilateral profilática. No procedimento, toda a glândula mamária é retirada, porém, a pele e o mamilo são poupados.

A atriz optou pelo procedimento após um teste genético indicar que ela tinha até 85% de probabilidade de desenvolver um câncer de mama e 50% de ter um câncer no ovário, ao longo da vida. O histórico familiar – a mãe de Angelina faleceu vítima do câncer – havia sido determinante na busca da atriz pelo teste genético.

Aproximadamente 10 a 15% das mulheres que desenvolvem câncer de mama têm a doença como consequência de uma predisposição genética hereditária. Angelina Jolie é portadora de uma mutação do gene conhecido como BRCA1, descoberto através de um teste feito no sangue.

Mas a grande discussão não é o teste em si, mas sim quem deve fazê-lo. Mulheres saudáveis que tenham uma história familiar de câncer de mama e de ovário são pessoas que devem discutir a possibilidade de serem portadoras de predisposição hereditária com seus médicos. Com base neste histórico familiar o médico avalia se a probabilidade de uma síndrome genética de predisposição ao câncer é alta ou não. Caso o médico não se sinta confortável em fazer esta análise, ele deve encaminhar a paciente a um oncogeneticista.

Fazer um teste genético sem ter previamente as orientações de um profissional pode ser uma receita de problemas, mais que de soluções. Com base nesta avaliação e orientação oncogenética, ai sim, o teste da pesquisa de mutação deve ser solicitado. E o resultado deste teste abre um leque de opções de prevenção e de tratamentos, não só para a paciente, mas para parentes próximos que também podem ser portadores da mesma mutação.

O Einstein é um dos hospitais no Brasil que coleta amostras para a pesquisa de mutação de BRCA 1 e BRCA 2, sendo o teste realizado no laboratório de referência nos Estados Unidos.

No caso de Jolie, ciente de que tinha a mutação de BRCA1, ela e seus médicos optaram pela mastectomia bilateral profilática. Haveria outras opções? Sim. A prevenção poderia ser feita com medicação hormonal, rastreamento com ressonância de mama e mamografia anuais (que detectariam precocemente um câncer, permitindo a cura), ou com cirurgia. Ao escolher a mastectomia profilática bilateral, o risco de Angelina desenvolver um câncer de mama diminuiu em mais de 90%.

Restou ainda o risco de câncer de ovário, para o qual ela terá a opção da retirada cirúrgica dos ovários. Normalmente, em casos como este, se recomenda que a retirada dos ovários ocorra somente depois que a mulher tenha tido seus filhos.

A divulgação por parte da atriz de sua opção médica escancara as portas de uma discussão necessária: não basta uma recomendação universal de mamografia a partir dos 50 (ou 40) anos de idade. É necessário que a população conheça o fato de que em famílias com incidência de casos de câncer em idade jovem, ou em famílias que tenham a ocorrência de vários casos de câncer, pode existir uma predisposição hereditária ao câncer.

Para estas famílias, a regra geral de iniciar mamografia aos 40 anos é insuficiente. Pessoas com este histórico devem conversar com seus médicos e a estratégia de rastreamento deve ser individualizada. Na dúvida, pessoas com histórico familiar importante devem procurar o oncogeneticista, como ponto de partida para uma avaliação mais ampla que permita prevenir casos e mortes por câncer.

Autor:   Hospital Israelita Albert Einstein

Fonte:   Fonte: Dr. Rafael Kaliks, oncologista do Hospital Israelita Albert Einstein

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